Santo, de Maria Luísa Alves, vence Melhor Curta no Festival do Rio

Santo, de Maria Luísa Alves, vence Melhor Curta no Festival do Rio. Foto: Claudio Andrade

Santo, dirigido por Maria Luísa Alves, encerrou sua passagem pelo Festival do Rio 2026 com o Troféu Redentor de Melhor Curta-Metragem da Première Brasil. A vitória foi anunciada durante a cerimônia de premiação realizada no domingo (11), no Cine Odeon, no Rio de Janeiro. Além disso, o reconhecimento chegou poucos dias depois da estreia mundial do filme dentro da própria programação do festival.

Maria Luísa subiu ao palco da tradicional sala da Cinelândia para celebrar o prêmio conquistado pelo curta. Dessa forma, Santo terminou a 28ª edição do Festival do Rio como o vencedor entre os títulos selecionados para a competição principal de curtas da Première Brasil.

Antes da premiação, o filme havia disputado espaço com produções como 3×4, A Casa de Dona Carlota, Fissuras, Fortaleza, Joqueta, Lagoa do Abandono, Pedra-Mar e Reteté. Ao todo, a Première Brasil reuniu mais de 100 produções nacionais nesta edição, selecionadas entre quase 1.500 inscrições de longas e curtas.

Santo aproxima dois entregadores nas ruas de São Paulo

Escrito e dirigido por Maria Luísa Alves, Santo tem 15 minutos de duração e acompanha o encontro entre dois jovens entregadores na cidade de São Paulo. Depois de um acidente de trânsito, Yuri e Davi passam a conviver e entram em contato com maneiras bastante diferentes de enxergar a vida.

Davi (João Pedro Mariano) é evangélico e leva uma rotina marcada pelo trabalho e pela religião. Yuri (Pedro Tófani), por outro lado, aparece como um jovem provocador e mais livre em relação às próprias escolhas.

Por isso, a aproximação entre os dois coloca fé, desejo e afeto em um mesmo espaço. Ao mesmo tempo, o curta acompanha esse encontro sem se afastar do cotidiano urbano dos personagens, usando a rotina dos entregadores como ponto de partida para a relação que começa a se construir.

Além disso, Santo foi filmado integralmente em película 16 mm, escolha que também participa da identidade visual da produção. O trabalho teve sua primeira exibição pública justamente no Festival do Rio, onde entrou diretamente na disputa pelo Troféu Redentor.

Curta também integrou seleção do Prêmio Félix

A presença de Santo no festival ainda ultrapassou a competição tradicional da Première Brasil. O filme também apareceu entre os curtas selecionados para o Prêmio Félix, dedicado às narrativas LGBTQIAPN+ presentes na programação.

Com isso, a produção ganhou espaço em duas frentes dentro do evento. Enquanto concorria ao Redentor com outros curtas brasileiros, também integrou a seleção que reuniu obras voltadas a diferentes experiências de gênero, sexualidade e afeto.

Já na programação, Santo foi exibido ao lado de Cão Sem Plumas, de Camila Valença, incluindo uma sessão seguida de debate no Cine Odeon em 10 de outubro. No dia seguinte, porém, Maria Luísa Alves retornou ao mesmo cinema para receber o principal prêmio destinado aos curtas da competição.

A conquista colocou Santo ao lado dos principais vencedores do Festival do Rio 2026. Na mesma noite, A Margem do Rio, de Enock Carvalho e Matheus Farias, levou o prêmio de Melhor Longa-Metragem de Ficção, enquanto Elza, de Eryk Rocha, venceu como Melhor Documentário.

Assim, depois de chegar ao festival para sua estreia mundial, Santo deixou a Première Brasil com o Troféu Redentor e um dos principais reconhecimentos de sua ainda recente trajetória.

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