Julian Rosefeldt levou Euforia ao Festival do Rio 2026 nesta quarta-feira (7). O cineasta alemão participou da sessão realizada no Cinesystem Belas Artes, em Botafogo, ao lado de Luis Rosefeldt, que também integra o elenco do longa. A produção propõe uma viagem visual por dois mil anos de ideias para discutir capitalismo, consumo e ganância.
Antes da exibição, os dois passaram pelo espaço reservado aos convidados do festival. Julian escolheu uma produção casual em tons de azul, combinando camiseta, calça, camisa sobreposta e boné. Já Luis apostou em camiseta preta, calça escura e cinto de couro. Assim, a dupla deixou a formalidade da alfaiataria de lado e apareceu com looks mais descontraídos para a sessão.
A presença de Luis, porém, não aconteceu apenas para acompanhar o diretor. Ele faz parte do elenco de Euforia e aparece nos créditos como um dos jovens skatistas da produção. Além disso, o filme reúne Giancarlo Esposito e conta com a voz de Cate Blanchett.
Euforia transforma capitalismo em experiência audiovisual
Em vez de seguir uma narrativa convencional, Euforia constrói diferentes situações dentro de uma Nova York distópica. A partir delas, personagens marginalizados discutem dinheiro, poder, desejo, desigualdade e os mecanismos que mantêm o capitalismo atraente mesmo diante de suas contradições.
Para construir o roteiro, Julian Rosefeldt reuniu fragmentos de pensamentos produzidos ao longo de cerca de dois mil anos. Por isso, referências aparentemente distantes dividem espaço dentro do mesmo filme. O material passa por nomes como Platão, Karl Marx, Angela Davis, bell hooks, Milton Friedman, Snoop Dogg e Cardi B.
Além disso, Giancarlo Esposito aparece como um taxista em Nova York. Já Cate Blanchett empresta a voz a um tigre que circula por um supermercado em meio ao cenário de colapso. Dessa forma, o longa mistura personagens humanos, animais e situações surreais enquanto conduz sua reflexão sobre consumo e ambição.
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A música também ocupa um papel fundamental. Samy Moussa e Cassie Kinoshi assinam a trilha, enquanto cerca de 150 integrantes do Brooklyn Youth Chorus participam da execução. Ao mesmo tempo, cinco bateristas ligados ao jazz, entre eles Terri Lyne Carrington, Peter Erskine e Antonio Sánchez, ajudam a construir a dimensão sonora da obra.
Filme nasceu como instalação de arte
Euforia começou a ser desenvolvido anos antes de chegar às salas de cinema. Originalmente, Julian criou o projeto como uma instalação audiovisual de 24 canais, desenvolvida entre 2016 e 2022 e apresentada em espaços e festivais internacionais. Depois, o trabalho ganhou uma versão em longa-metragem de 91 minutos.
As filmagens passaram por Nova York, Sofia, Berlim e Kiev. Além disso, parte do material na capital ucraniana foi registrada pouco antes do início da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022.
Durante a sessão no Rio, Julian conversou com o público antes e depois da projeção. Segundo relato publicado após a exibição, o diretor explicou que decidiu mergulhar justamente em um assunto que havia evitado durante boa parte da vida: a economia. Com isso, transformou conceitos e textos teóricos em diálogos, imagens e música.
A passagem de Euforia pelo Festival do Rio também marca o retorno de Julian Rosefeldt ao formato de longa depois de Manifesto, trabalho estrelado por Cate Blanchett no qual a atriz interpretou 13 personagens diferentes. Agora, o cineasta volta a combinar cinema e artes visuais, mas direciona o olhar para a sedução e as contradições do sistema econômico contemporâneo.
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