Isabel Teixeira e Grace Passô dividiram um dos principais prêmios do Festival do Rio 2026. Durante a cerimônia realizada no domingo (11), no Cine Odeon, as atrizes receberam o Troféu Redentor de Melhor Atriz da Première Brasil. Isabel foi reconhecida pela atuação em Diário do Fogo, enquanto Grace conquistou o júri com A Professora de Francês. A categoria terminou em empate, com o prêmio concedido ex aequo às duas intérpretes.
Além de colocar duas atrizes entre os grandes destaques da noite, o resultado aproximou filmes bastante diferentes, mas que encontraram no terror uma maneira de tratar conflitos humanos e sociais. Enquanto Diário do Fogo acompanha uma mãe atravessando uma noite marcada pela perda da moradia e por ameaças cada vez mais inquietantes, A Professora de Francês mistura fantasmas, opressão e violência em uma história sobre uma mulher obrigada a retornar ao lugar onde cresceu.
Os dois títulos integraram a competição de longas-metragens de ficção da Première Brasil. Além disso, Diário do Fogo realizou sua estreia mundial no festival, enquanto A Professora de Francês teve sua première brasileira dentro da programação.
Isabel Teixeira encara uma noite de horror em Diário do Fogo
Dirigido por Maju de Paiva e Bernardo Florim, Diário do Fogo coloca Isabel Teixeira no centro de uma história que mistura terror e precariedade social. No filme, sua personagem vive com a filha em uma ocupação quando um incêndio destrói o lugar onde as duas moram.
A partir daí, mãe e filha precisam atravessar a cidade enquanto tentam encontrar abrigo. Porém, a noite se torna progressivamente mais estranha, e ameaças que poderiam pertencer apenas ao campo sobrenatural começam a se misturar aos perigos muito concretos enfrentados pelas personagens.
Ao mesmo tempo, o filme transforma a sobrevivência cotidiana em parte essencial de sua atmosfera de horror. Mesmo depois de perder a casa, a protagonista ainda precisa trabalhar, cuidar da filha e tentar descobrir onde as duas poderão passar a noite.
Dessa forma, a atuação de Isabel acompanha uma mulher submetida a diferentes limites em poucas horas. Além disso, o longa utiliza essa jornada para aproximar medo, maternidade e vulnerabilidade social sem separar completamente o real do sobrenatural.
O reconhecimento no Festival do Rio marcou ainda a primeira passagem pública do longa por um grande festival, já que Diário do Fogo chegou à Première Brasil como première mundial.
Grace Passô enfrenta fantasmas em A Professora de Francês
Já Grace Passô protagoniza A Professora de Francês, novo longa de Ricardo Alves Jr.. Na trama, Graça (Grace Passô) precisa retornar ao bairro onde cresceu. No entanto, voltar para casa também significa reencontrar lembranças, antigas relações e ameaças que permaneciam ligadas àquele lugar.
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O filme utiliza elementos do terror de possessão e das histórias de fantasmas. Porém, também coloca a personagem diante de formas de opressão que surgem nas relações cotidianas e dentro da própria comunidade.
Assim, o medo não aparece apenas em manifestações sobrenaturais. Ao contrário, olhares, palavras, vizinhos e recordações começam a construir uma sensação crescente de perigo ao redor de Graça.
Além disso, o longa foi concebido desde o início tendo Grace Passô como protagonista, segundo o diretor. Dessa maneira, a atriz ocupa o centro de uma narrativa construída ao redor da resistência de sua personagem diante das forças que tentam controlar sua vida.
A Professora de Francês também saiu do festival com outros reconhecimentos. Pedro Goifman venceu como Melhor Ator Coadjuvante, enquanto Florencia Di Concilio recebeu o prêmio de Melhor Trilha Sonora Original. Com isso, o longa terminou a Première Brasil com três Troféus Redentor.
Isabel Teixeira e Grace Passô dividem Troféu Redentor
Ao optar pelo empate, o júri reconheceu duas interpretações protagonistas dentro da mesma categoria. Portanto, não houve uma única vencedora de Melhor Atriz na competição principal deste ano.
Isabel Teixeira levou o prêmio por Diário do Fogo. Por sua vez, Grace Passô recebeu o mesmo Troféu Redentor por A Professora de Francês. O resultado foi anunciado no Cine Odeon durante a cerimônia que encerrou a 28ª edição do Festival do Rio.
Na mesma noite, A Margem do Rio, de Enock Carvalho e Matheus Farias, venceu como Melhor Longa-Metragem de Ficção. Enquanto isso, Elza, de Eryk Rocha, conquistou o prêmio de Melhor Documentário, e Santo, de Maria Luísa Alves, foi escolhido como Melhor Curta-Metragem.
Para Isabel e Grace, porém, a noite terminou com uma conquista compartilhada. Assim, duas protagonistas de filmes que recorreram ao terror por caminhos diferentes deixaram o Festival do Rio 2026 com o mesmo reconhecimento pela força de suas atuações.
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