Santo António, O Casamenteiro de Lisboa celebra amor e tradição no Festival do Rio

Santo António, O Casamenteiro de Lisboa celebra amor e tradição no Festival do Rio. Foto: Davi Campana

Lisboa, seus amores e as transformações que ameaçam algumas de suas tradições chegaram ao Festival do Rio 2026 nesta sexta-feira (2). Santo António, O Casamenteiro de Lisboa, comédia romântica dirigida por Ruben Alves, teve sua primeira exibição no evento no CineSystem Belas Artes Botafogo e integra a mostra Expectativa. Antes de desembarcar no Brasil, o longa já havia conquistado o público português e ultrapassado a marca de 100 mil espectadores nos cinemas.

A história coloca os tradicionais Casamentos de Santo António no centro de uma crise. Carmo (Rita Blanco) e Valentim (Joaquim Monchique) trabalham há mais de 25 anos na organização da cerimônia promovida em Lisboa. Porém, o interesse pelo evento diminuiu, os patrocinadores desapareceram e uma empresa francesa chamada Stardust se prepara para assumir o controle da celebração.

Diante disso, os dois recebem um ultimato. Ou conseguem modernizar os casamentos e recuperar sua força, ou perdem os empregos. Por isso, Carmo e Valentim entram em uma corrida para realizar a edição mais memorável da história sem permitir que a tradição se transforme apenas em um produto turístico.

Filme usa o humor para falar das mudanças em Lisboa

A ameaça aos casamentos funciona como ponto de partida para uma discussão maior. Ao longo da trama, Ruben Alves coloca a própria Lisboa diante das mudanças provocadas pelo turismo em massa, pela modernização e pela transformação de hábitos cotidianos.

Logo no início, por exemplo, Carmo entra em uma padaria e tenta pedir o tradicional galão com torrada. No entanto, encontra um cardápio dominado por pancakes, avocado toast e smoothies. Em outro momento, ela enfrenta uma fila de turistas para conseguir usar o bonde. Assim, situações aparentemente pequenas ajudam a construir o choque entre a cidade que os personagens conhecem e a Lisboa que surge diante deles.

Ao mesmo tempo, a comédia evita transformar essa discussão em um discurso pesado. Segundo Ruben, sua intenção é trabalhar temas importantes com leveza e alcançar um público amplo.

“Eu faço cinema contando histórias para dar emoção ao público. Não faço cinema para receber prêmios, faço cinema para criar emoção nas pessoas. Fazer rir, chorar e pensar”, explicou o cineasta durante passagem pelo Festival do Rio.

Diferentes casais colocam o amor no centro da história

Embora a preservação das tradições movimente a trama, o amor ocupa o centro de Santo António, O Casamenteiro de Lisboa. O filme acompanha seis casais candidatos ao casamento, reunindo histórias e gerações diferentes. Entre eles estão um casal homoafetivo, dois idosos e até uma dupla que atravessa uma crise e pode se separar.

Maria João Bastos mistura estampas no Festival do Rio 2026. Foto: Davi Campana

Além disso, uma das histórias envolve Beatriz (Maria João Bastos), portuguesa que vive na Espanha ao lado do namorado Jaime (Paco León). Quando retorna a Lisboa, ela precisa enfrentar novamente uma relação conturbada com a mãe e a irmã. Com isso, o longa amplia a ideia de amor para além do romance e também aborda vínculos familiares, pertencimento e a relação das pessoas com a própria cidade.

Para Maria João, essa variedade é justamente uma das chaves do filme. “É sempre o amor que está ali ou desamor a ligar as pessoas de alguma forma”, afirmou a atriz ao comentar as diferentes relações apresentadas na história.

Tradição retratada no filme existe desde 1958

Os Casamentos de Santo António retratados na produção não são uma criação do roteiro. A tradição lisboeta começou em 1958 e, atualmente, acontece sob organização da Câmara Municipal de Lisboa. A cada ano, casais são selecionados para celebrar gratuitamente suas uniões durante as festas dedicadas ao santo casamenteiro.

Por isso, a equipe decidiu filmar integralmente em Portugal. Lisboa ocupa o centro da produção, mas o longa também passou por locações em Cabo Espichel e Alcobaça. Para Ruben, que nasceu e cresceu em Paris, o trabalho teve ainda um significado pessoal, já que ele considera Lisboa sua segunda cidade.

O roteiro foi escrito por Ruben Alves e Fernando Pérez. Além disso, o elenco reúne Maria Rueff, Ana Bola, Jacqueline Corado, João Catarré, Joaquim de Almeida, Lídia Franco, Inês Aires Pereira, Nuno Nolasco, Pedro Nuno, Miguel Amorim e o brasileiro Pedro Nercessian.

Filme chegou ao Rio depois de sucesso em Portugal

Santo António, O Casamenteiro de Lisboa estreou comercialmente em Portugal em 10 de setembro. Logo no primeiro fim de semana, tornou-se o filme mais visto nos cinemas do país. Depois, continuou crescendo e ultrapassou 100 mil espectadores ainda em setembro.

Agora, a produção busca ampliar esse alcance no Brasil por meio do Festival do Rio. O filme tem 119 minutos e integra a mostra Expectativa, portanto não disputa os prêmios da Première Brasil.

A sessão desta sexta-feira também contou com a presença de Ruben Alves e Maria João Bastos. Dessa forma, além de apresentar o longa ao público brasileiro, os dois puderam explicar como uma comédia sobre uma tradição especificamente lisboeta acabou encontrando temas universais, como solidão, família, pertencimento e a necessidade de preservar espaços de encontro.

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