Oceânico estreia no Festival do Rio com ciência sob ameaça

Leo Senna, Pedro Guimarães, Ana Carbatti e Caio Cabral no Festival do Rio! Oceânico estreia no Festival do Rio. Foto: Claudio Andrade

A ciência brasileira entra no centro de uma disputa por poder em Oceânico, longa de Guilherme Coelho que realizou sua première mundial nesta sexta-feira (2) no Festival do Rio 2026. A produção foi apresentada no Estação Claro Gávea com a presença de integrantes do elenco, entre eles Ana Carbatti, Caio Cabral e Pedro Guimarães, além de Léo Senna, que também passou pela sessão. O filme integra a Competição de Longas-Metragens de Ficção da Première Brasil e, portanto, concorre ao Troféu Redentor.

Com 95 minutos, Oceânico mistura drama familiar e thriller político para acompanhar Adyr (Ana Carbatti), neurocientista reconhecida pelo trabalho desenvolvido em uma universidade pública do Rio de Janeiro. Depois de perder o marido para o alcoolismo, ela direciona sua pesquisa à busca de uma alternativa para tratar justamente a doença que atravessou sua família.

Porém, aquilo que começa como uma investigação científica promissora ganha contornos perigosos. Quando o potencial econômico da descoberta desperta o interesse de pessoas dispostas a se apropriar do trabalho, Adyr passa a enfrentar ameaças. Além disso, sua preocupação deixa de envolver apenas a continuidade da pesquisa e alcança também a segurança do filho, Tom (Caio Cabral).

Oceânico transforma medicina psicodélica em thriller

A pesquisa apresentada no filme envolve o uso medicinal de substâncias psicodélicas no tratamento da dependência do álcool. Ao mesmo tempo, o roteiro aproxima esse universo científico das pressões econômicas e políticas que cercam Adyr.

Para dar consistência a esse ambiente, a equipe contou com a consultoria do neurocientista Sidarta Ribeiro, pesquisador ligado ao estudo de substâncias psicoativas. Além disso, ele participa do próprio longa como João (Sidarta Ribeiro), marido falecido da protagonista.

Já Lucas (Pedro Guimarães) é um jovem neurocientista que integra a equipe de Adyr. Na história, ele acompanha de perto os pacientes envolvidos na pesquisa e ajuda no desenvolvimento do trabalho científico. O personagem também marca a estreia de Pedro Guimarães no cinema brasileiro.

Além dos três, o elenco reúne Tay O’Hanna, Nill Marcondes, Julio Adrião, Bárbara Vila Nova e Manuela Llerena. Com isso, o longa constrói sua tensão a partir do ambiente acadêmico, das relações familiares e da crescente sensação de que Adyr não sabe mais em quem pode confiar.

Filme também discute pressão política sobre a ciência

Antes de Oceânico, Guilherme Coelho já havia abordado o alcoolismo no documentário Luz Acesa. Dessa vez, porém, o diretor escolheu a ficção para retomar o tema e colocá-lo diante de questões relacionadas à pesquisa científica, ao financiamento e às disputas de poder.

Segundo o cineasta, o projeto também nasceu do desejo de dialogar com um cenário político marcado por ameaças às instituições e à produção científica. Assim, a disputa em torno da descoberta de Adyr não funciona apenas como motor de suspense, mas também como parte da discussão proposta pelo filme.

A ideia original surgiu de uma parceria entre Guilherme Coelho e o escritor Michel Laub. Depois, o desenvolvimento do roteiro também ganhou as contribuições de Marcelo Gomes, Mariana Jaspe, Vinícius Spanghero e Josefina Trotta.

Além disso, a equipe técnica reúne Flora Dias na fotografia, Ana Paula Cardoso na direção de arte e Preta Marques no figurino. Já Marcia Watzl, Guilherme Coelho e Waldir Xavier assinam a montagem.

Oceânico disputa a Première Brasil

A estreia no Festival do Rio coloca Oceânico entre os dez longas de ficção selecionados para a competição principal da Première Brasil. Dessa forma, o filme disputa espaço com títulos como Funk, A Margem do Rio, Maria de Maria, London e Vicentina Pede Desculpas.

Depois da première mundial de sexta-feira, o longa volta à programação neste sábado (3), às 16h30, no Cine Odeon. A sessão terá debate mediado por Pedro Butcher e será acompanhada pelo curta Reteté, de Donna Oliveira. Em seguida, Oceânico ganha nova exibição no domingo (4), às 21h15, no CineSystem Belas Artes Botafogo.

A produção é da Matizar Filmes, com coprodução da Bubbles Project e Cinema Inflamável, além de produção associada da Tigresa e da francesa Manny Films. Mariana Ferraz, Tatiana Leite, Karim Aïnouz e Guilherme Coelho estão entre os produtores. Já a Filmes do Estação garantiu a distribuição comercial do longa no Brasil e lista seu lançamento para 2027.

Assim, depois de transformar uma pesquisa sobre dependência química em ponto de partida para discutir família, ciência e interesses de poder, Oceânico inicia sua trajetória pública justamente em uma das principais vitrines do cinema brasileiro.

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