O público que se acostumou a ver Tainá Müller caçando criminosos em séries de suspense agora vai encontrar a atriz em um cenário bem diferente, mas igualmente intenso. Neste domingo (10/05), a artista estreia à frente do novo módulo do Café Filosófico, na TV Cultura, mergulhando fundo nos abismos da mente humana. Com um tom vibrante e necessário, o programa coloca o dedo na ferida de uma sociedade que nunca esteve tão conectada e, paradoxalmente, tão ansiosa.
Sob a curadoria experiente de Pedro de Santi, a série de encontros foca nos dilemas que tiram o sono do brasileiro moderno. Por isso, a escolha da apresentadora não é por acaso; Tainá Müller empresta sua voz potente para mediar discussões que vão muito além do divã. O primeiro episódio foca no “imperativo da performance”, aquela pressão invisível que nos obriga a sermos produtivos 24 horas por dia, custe o que custar.
Crise silenciosa: O sofrimento de crianças e adolescentes em pauta
A discussão ganha contornos dramáticos quando o programa aborda o cenário alarmante enfrentado pelas gerações mais novas. Atualmente, pais e educadores lidam com um tédio profundo e uma falta de esperança preocupante entre jovens. No entanto, o Café Filosófico não busca apenas o diagnóstico, mas sim entender como as mediações sociais perderam a força de amparo, deixando o indivíduo em um estado de desamparo absoluto.
Além disso, o impacto da inteligência artificial e o uso desenfreado de medicações psiquiátricas surgem como pontos polêmicos da conversa. Para Pedro de Santi, vivemos um momento onde o excesso de diagnósticos muitas vezes serve como um refúgio para as responsabilidades da vida. Ou seja, a psicanálise resgata aqui sua dimensão ética para tentar devolver ao sujeito a sua própria vontade e o seu desejo de “bem viver”.
Da filosofia ao cotidiano: O resgate de Freud e Montaigne
O programa promove um encontro inusitado entre o pai da psicanálise, Sigmund Freud, e o filósofo do século XVI, Michel de Montaigne. Com isso, a produção busca traçar um paralelo sobre como a subjetividade pode emergir e se afirmar em meio ao caos político e digital. Com a democracia sendo questionada e as pautas decoloniais ganhando força, o espaço clínico se torna um dos últimos refúgios para a afirmação do “eu”.
A parceria entre a TV Cultura e o Instituto CPFL promete sacudir as noites de domingo com reflexões que fogem do senso comum. Pedro de Santi, que é mestre em Filosofia pela USP e doutor pela PUC-SP, traz sua bagagem de pesquisador sobre o comportamento do consumidor para explicar como o desejo foi sequestrado pelo mercado. O programa vai ao ar às 20h, com uma segunda chance para quem perder: a reapresentação acontece na madrugada de terça para quarta-feira, à 1h.
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