Nara Couto conecta Bahia e África em Travessia Vol.1

Nara Couto conecta Bahia e África em Travessia Vol.1. Foto: Edgar Azevedo/Divulgação

Nara Couto transforma a relação entre Bahia e África em música no terceiro álbum da carreira, Travessia Vol.1. Com sete faixas, o projeto aproxima a produção afro-contemporânea baiana de sonoridades de Cabo Verde e Guiné-Bissau, além de reunir convidados como Mû Mbana, Kady, Zidi Andrade e Tiganá Santana.

A ideia do disco já havia sido apresentada ao público por meio de Laço Ancestral, composição de Mateus Aleluia escolhida como primeiro single. A frase “O outro lado da Bahia vem da África” sintetiza a direção de um trabalho construído a partir das viagens, encontros e relações que Nara estabeleceu no continente africano.

Mais do que reunir participações, porém, a cantora buscou colocar diferentes línguas, instrumentos e referências em diálogo. Assim, Travessia Vol.1 atravessa territórios ligados por experiências históricas, culturais e afetivas sem tratar essas conexões como algo distante.

“Fiz a travessia para lugares que, quando cheguei, eu já existia, porque têm lugares que a gente não conhece, a gente reconhece”, explica Nara.

Travessia Vol.1 reúne artistas africanos e brasileiros

Entre os convidados está Mû Mbana, artista da Guiné-Bissau que divide Laço Ancestral com Nara. Na gravação, ele também leva para a faixa os sons do simbi e do tonkorongh, instrumentos tradicionais de cordas.

Já Cabo Verde aparece por meio das participações de Kady e Zidi Andrade. Por sua vez, Tiganá Santana amplia o encontro pelo lado brasileiro. O álbum também traz composições assinadas ou compartilhadas com nomes como Sued Nunes, François Muleka, Rafael Mike, Lucas Ramaciotti, Juca Delgado, Admir Lopes, Ricardo Alves e Ricardo Quintas.

Grande parte do disco ganhou produção de Ndu Carlos, músico angolano radicado em Cabo Verde. Além disso, três músicas começaram a ser produzidas no Brasil por Nara e Otis Selimane antes de receberem novas camadas instrumentais e o trabalho de mixagem e masterização de Ndu.

“Não é apenas atravessar o mar, é permitir que o encontro transforme o caminho, e foi desse movimento que nasce Travessia”, resume a cantora.

Nara Couto leva a conexão África-Bahia aos palcos

A mesma proposta chegou ao palco do Sesc Pompeia, em São Paulo, no show de lançamento realizado em 25 de setembro. Nara dividiu a direção musical da apresentação com o artista angolano Joss Dee, enquanto Fabio Leandro assinou os arranjos e Tiganá Santana participou como convidado especial.

Durante o espetáculo, a cantora transitou pelo português, pelo crioulo da Guiné-Bissau e de Cabo Verde e pelo bambara, língua falada no Mali. Ao mesmo tempo, o repertório incorporou referências rítmicas de países como Angola, Congo, Costa do Marfim, Mali e Cabo Verde.

Antes de Travessia, Nara lançou trabalhos como Retinta e Ori, este último com direção musical de Letieres Leite. Agora, o terceiro álbum amplia essa pesquisa e já aponta para uma continuação.

Isso porque o próprio título antecipa o próximo movimento: Travessia Vol.2 está previsto para 2027 e deverá abrir um novo capítulo da relação artística de Nara Couto com a África Lusófona.

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