Ivete Sangalo transformou origem, pertencimento e memória em espetáculo no Palco Mundo do Rock in Rio neste domingo (13). Batizado de A La Sangalo, o show nasceu da relação da cantora com a latinidade presente em sua história familiar e encontrou, no palco, a brasilidade que acompanha mais de três décadas de carreira.
Desta vez, Ivete não levou apenas uma sequência de sucessos para a Cidade do Rock. Pelo contrário, a apresentação ganhou um conceito próprio e colocou diferentes referências de sua formação musical dentro da mesma narrativa. Assim, ritmos latinos, a força do axé e a musicalidade brasileira apareceram como partes de uma trajetória que nunca coube em um único gênero.
Além disso, o espetáculo abriu a programação do Palco Mundo no último dia do Rock in Rio 2026. Para uma artista que mantém uma relação antiga com o festival, a nova passagem ganhou um caráter mais pessoal.
“A La Sangalo” parte da história de Ivete

O ponto de partida do show está no próprio sobrenome da cantora. Nos dias anteriores ao festival, Ivete Sangalo começou a revelar pistas sobre o conceito e resgatou histórias de sua família para explicar de onde vinha a ideia de A La Sangalo.
No palco, porém, essa herança não aparece isolada. Ao contrário, ela encontra a Bahia, o Carnaval, o axé e outras sonoridades que atravessaram a vida profissional da artista.
Por isso, a proposta não funciona como uma ruptura com aquilo que o público já conhece de Ivete. A cantora revisita referências que sempre estiveram presentes em sua música, mas agora as coloca no centro de uma apresentação pensada especialmente para o festival.
“A La Sangalo, uma herança latina que transpira junto com a minha brasilidade, exaltando vigor, bossa, suor da vivência do meu mundo. É puro sal, é meu tempero”, explicou Ivete sobre o conceito.
Na sequência, a artista relacionou essa memória à própria experiência na Bahia. “Essa herança atravessou o tempo, passou lá pela minha terra, ganhou o calor de paixão de Axé. Memória forte que movimenta corpo, som, abala e sacode a massa.”
Figurino também acompanha conceito do espetáculo
A construção visual de A La Sangalo segue a mesma ideia apresentada pela música. Ivete Sangalo e Kevin Zanne assinam o figurino escolhido para a apresentação, que também trabalha a conexão entre identidade, movimento e referências latinas.
Assim, roupa, coreografia e repertório fazem parte de uma mesma narrativa. Em vez de usar o conceito apenas como cenário, Ivete buscou incorporá-lo à própria presença no palco.
O movimento também tem um papel importante nessa construção. Afinal, a cantora sempre colocou a dança e a relação física com o público entre os elementos centrais de seus shows. Em A La Sangalo, essa energia ganha uma nova camada ao se encontrar com as memórias familiares que inspiraram o espetáculo.
“Está no meu sangue celebrar essa memória com a minha voz e movimento. Nas minhas veias, pertencimento. Nesse palco, a minha história”, definiu a cantora.
Rock in Rio volta a receber uma velha conhecida
A relação de Ivete Sangalo com o Rock in Rio atravessa diferentes fases de sua carreira. Ao longo dos anos, a cantora passou pelos palcos do festival no Brasil e também em edições internacionais, tornando esse encontro recorrente em sua trajetória.
No entanto, a apresentação de 2026 chega depois de uma sequência de projetos em que Ivete voltou a explorar diferentes lados de sua musicalidade. Dessa vez, a escolha foi olhar para trás sem transformar o show em uma retrospectiva convencional.
Em A La Sangalo, passado e presente aparecem juntos. A artista parte da memória da família, encontra a música que escutou ao longo da vida e, então, leva tudo para o ambiente que melhor conhece: um palco diante de uma multidão.
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