Expedição Langsdorff 200 anos revive história e crise ambiental

POMPEU, João [Salto Augusto/Série O Brasil de Florence], 2025 - em exposição na USP no dia 31 de março
POMPEU, João [Salto Augusto/Série O Brasil de Florence], 2025 - em exposição na USP no dia 31 de março.

O Brasil de dois séculos atrás está desaparecendo, e uma nova iniciativa cultural quer mostrar o tamanho do estrago. Por isso, o projeto Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos depois chega à USP no dia 31 de março para chocar o público. A proposta utiliza os registros de uma das maiores missões científicas do século XIX como espelho para a devastação atual da Amazônia e do Pantanal.

O resgate da jornada épica pelo interior do Brasil

A expedição original, financiada pelo Império Russo, partiu de Porto Feliz (SP) em 1826 com um objetivo ambicioso: mapear o desconhecido. No entanto, o que era uma missão de catálogo de espécies se tornou o maior testamento visual do nosso território. Entre os integrantes estava o desenhista Hercule Florence, cujos diários e desenhos são, até hoje, fundamentais para a história nacional.

Com isso, o público poderá conferir na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM-USP) um acervo riquíssimo. A exposição reúne mais de cem obras, colocando lado a lado os desenhos de Hercule Florence e fotografias contemporâneas de nomes como Lalo de Almeida. O contraste é um verdadeiro soco no estômago, revelando como transformamos santuários ecológicos em áreas de conflito e queimadas em apenas 200 anos.

Cinema, ciência e o futuro do Brasil

Além das imagens, o projeto expande seus horizontes para outras plataformas culturais. Ou seja, a iniciativa não se limita às paredes da galeria e contará com uma mostra de cinema ambiental e o lançamento de publicações inéditas. Segundo Antonio Florence, idealizador do instituto que leva o nome do seu tataravô, a exposição funciona como um memento mori da nossa natureza.

Portanto, a programação segue intensa até junho, culminando em um colóquio no exato bicentenário da partida da expedição. Além disso, as exibições de filmes ocorrerão em espaços prestigiados como o Centro Maria Antônia e o Instituto Moreira Salles. É uma oportunidade única para entender que a crise climática não é algo abstrato, mas uma mudança drástica na paisagem que nossos antepassados desenharam com tanto deslumbre.

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