A nova peça “Juego de Niños”, um texto inédito do aclamado dramaturgo Newton Moreno, estreia no dia 30 de outubro no Itaú Cultural, em São Paulo. Com entrada gratuita , o espetáculo propõe um impacto imediato ao escalar atores veteranos para interpretar crianças imigrantes. A montagem, uma realização da ONG Turma do Bem , denuncia a realidade contundente vivida em campos de detenção.
O impacto do contraste: Atores de 70 anos vivem crianças
A principal ferramenta de impacto de “Juego de Niños” é, sem dúvida, o seu elenco. A peça apresenta três personagens infantis: México (um menino de 8 anos), Honduras (uma menina de 11) e Nicarágua (um menino de 13). Contudo, quem dá vida a eles são gigantes da dramaturgia brasileira, todos na faixa dos 70 anos: Genézio de Barros, Vera Mancini e Luiz Guilherme.
Esse contraste intencional entre a idade dos atores e a juventude dos personagens não é aleatório. Pelo contrário, a direção de Bernardo Bibancos usa essa escolha para acentuar o tema central: o amadurecimento precoce imposto pelo sofrimento e pela violência.
Brincadeiras como resistência em uma jaula
A trama se desenrola em um cenário brutal: uma jaula, que representa um campo de detenção. Nela, as três crianças, envoltas em mantas térmicas, tentam resgatar fragmentos da infância perdida. Dessa forma, eles recorrem a brincadeiras clássicas, como pião, amarelinha e boneca.
Cada personagem carrega uma história de perda e esperança. México aguarda ansiosamente o reencontro com o pai. Honduras, por outro lado, enfrenta o medo da primeira menstruação em condições desumanas. Por fim, Nicarágua teme não ser mais reconhecido pelos pais após anos de separação. O jogo, portanto, torna-se uma metáfora para a sobrevivência e a resistência em meio ao abandono.
Um projeto de sensibilidade e indignação
O espetáculo é uma realização da ONG Turma do Bem e conta com apoio da ONG Cerzindo, que acolhe refugiados e migrantes. O autor, Newton Moreno, afirma que o projeto reúne artistas para “dar vazão à sua sensibilidade e indignação frente às desmedidas e violências nas fronteiras bélicas deste mundo”.
O diretor Bernardo Bibancos complementa, destacando a “tragédia humanitária”. O texto de Moreno usa uma linguagem lírica para denunciar as condições desumanas dos campos de imigração, o racismo e a desigualdade econômica global. Além disso, a montagem repete a parceria de Bibancos com Lu Grimaldi, que atua como assistente e preparadora corporal do elenco.
A produção conta ainda com uma equipe técnica de peso, incluindo André Abujamra na trilha sonora e Caetano Vilela na iluminação.
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