A próxima novela das nove da TV Globo promete um choque visual sem precedentes na teledramaturgia. Sob o comando da diretora Amora Mautner, “Quem Ama Cuida” aposta em uma São Paulo contemporânea, mas temperada com o charme estético dos anos 90. Certamente, essa escolha não é por acaso, já que a trama pretende usar figurinos e cenários desenhados para contar a evolução emocional de cada personagem.
Sobretudo, a produção foge do naturalismo comum para entregar uma estética “desenhada”, onde cada ambiente funciona como um organismo vivo. Além disso, a narrativa explora os contrastes brutais de classe social, transformando os deslocamentos cotidianos pela capital paulista em um espetáculo visual reconhecível e, ao mesmo tempo, poético.
São Paulo nos detalhes: O realismo mágico de Cris Bisaglia

A cenografia, assinada pela talentosa Cris Bisaglia, é o alicerce onde todo esse universo urbano ganha vida. Principalmente, o pedido da direção era criar universos com personalidade visual forte que ajudassem a ditar o ritmo da história. Por isso, a cenógrafa mergulhou em uma leitura detalhada da cidade, desde mansões tradicionais até núcleos de classe média espremidos pela realidade.
Um dos pontos altos é a casa de Rosa (Tatiana Tiburcio), pensada para a ação verdadeira. No entanto, o cenário precisava permitir uma circulação orgânica, já que a diretora prefere atores em movimento constante. Com isso, surgiram plantas abertas e integradas, perfeitas para que a protagonista possa lavar um copo ou varrer a casa enquanto as cenas mais densas acontecem.
Joalheria Brandão e o luxo silencioso de Arthur

Em contraste direto com a simplicidade, surge o apartamento de Arthur Brandão (Antonio Fagundes). O espaço exala um luxo clássico e silencioso, traduzindo o poder do “dinheiro antigo” com mármores, veludos e jardins internos sofisticados. Certamente, nada ali é ostentação barata; tudo comunica refinamento e um vasto repertório cultural.
Essa mesma lógica de poder ganha vida na Joalheria Brandão, concebida como um templo de desejo. De acordo com a produção de arte de Carolina Pierazzo, o cenário utiliza joias reais em momentos-chave para garantir a verdade material em cena. Além disso, as cortinas de correntes douradas e vitrines iluminadas transformam o espaço em um símbolo do império construído pelo empresário.
Pilar e o caos dos filhos adultos em casa
Por outro lado, a casa de Pilar (Isabel Teixeira) revela a contradição entre a aparência e o bolso vazio. A decoração mistura brilhos e mármores para performar um luxo que o orçamento instável já não sustenta mais. Devido a isso, o ambiente é denso e sufocante, refletindo a convivência apertada com seus três filhos adultos.
Ingrid (Agatha Moreira), Rafael (João Vitor Silva) e Brigitte (Tata Werneck) dividem esse espaço marcado por sinais de economia, como o ventilador barulhento no lugar do ar-condicionado. Como resultado, o cenário respira um desgaste emocional profundo, onde a desorganização constante reflete uma vida que perdeu o controle ao longo dos anos.
O refúgio modernista de Pedro e a dor do abrigo
Já o apartamento de Pedro (Chay Suede) constrói o retrato de um advogado idealista e conectado com a modernidade. Sob essa ótica, a desordem aparente é, na verdade, uma curadoria de referências culturais, como discos de bandas alternativas e pôsteres de Sade. Finalmente, o abrigo da novela traz o impacto humanitário pós-enchentte, mostrando a realidade nua e crua das doações e da sobrevivência.
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