Justiça impõe medidas drásticas ao Rock in Rio após flagrante de trabalho escravo

Justiça impõe medidas drásticas ao Rock in Rio após flagrante de trabalho escravo
Justiça impõe medidas drásticas ao Rock in Rio após flagrante de trabalho escravo

O cenário de “um mundo melhor” sofreu um duro golpe na Justiça do Trabalho. Atendendo a um pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT-RJ), o Judiciário determinou que a Rock World S/A cumpra imediatamente obrigações rigorosas para o Rock in Rio 2026. A decisão surge após uma força-tarefa resgatar 14 pessoas em condições análogas à escravidão durante a edição de 2024.

De acordo com o relatório de fiscalização, os trabalhadores enfrentavam jornadas exaustivas de até 21 horas e dormiam sobre papelões e sacos plásticos. Além disso, as refeições eram feitas no chão, próximas a lixeiras, com comida muitas vezes azeda.

Decisão judicial exige mudanças imediatas

No entanto, a impunidade não terá vez nas próximas edições. A Justiça proibiu a submissão de funcionários a condições degradantes e exigiu o registro em carteira de todos os terceirizados antes do credenciamento. Por isso, a organização deve implementar um controle de jornada rigoroso por meio de acesso eletrônico.

A decisão também obriga a instalação de vestiários separados por sexo, refeitórios adequados e o fornecimento gratuito de Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Com isso, o evento tenta evitar a repetição de episódios que o MPT classificou como “banalização do trabalho escravo” em um festival que fatura centenas de milhões de reais.

Multas pesadas e responsabilidade solidária

Certamente, o descumprimento das ordens custará caro aos cofres da empresa. A Justiça estabeleceu uma multa diária de R$ 50 mil por obrigação desrespeitada, além de penalidades por cada trabalhador prejudicado. A empresa FBC Backstage Eventos Ltda também responde solidariamente pelas irregularidades constatadas pela força-tarefa.

O MPT ainda luta pela condenação das empresas ao pagamento de indenização por danos morais coletivos e individuais às vítimas. Ou seja, o Rock in Rio 2026 terá que provar, na prática, que o respeito aos direitos humanos faz parte do seu espetáculo.

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