O cinema brasileiro prova, mais uma vez, sua potência avassaladora. Por isso, o filme Dias e Dias chega para sacudir as estruturas e mostrar a realidade de quem vive nas bordas das grandes cidades. Afinal, a arte precisa refletir a vida.
Com lançamento previsto para o último trimestre de 2026, a produção não é apenas entretenimento. Na verdade, trata-se de um manifesto social urgente. Já que é dirigido pela dupla 2Vilão, formada por Mary Abrantes e Peri, o média-metragem promete entregar um diário visual impactante sobre São Paulo.
A trama acompanha Caíque, um jovem fotógrafo que vive o dilema clássico da juventude periférica: a urgência de pagar as contas versus o desejo de viver da arte. Ou seja, no trajeto exaustivo entre a periferia da Zona Sul e o Centro, ele busca sentido em meio ao caos urbano.
A realidade nua e crua nas telas
O roteiro acerta em cheio ao tocar em feridas expostas, como a mobilidade urbana e a desigualdade social. Com isso, o protagonista, interpretado por Bias, vive na ficção exatamente o que muitos brasileiros enfrentam na pele.
O ator abriu o jogo e revelou que a conexão com o personagem foi imediata. Inclusive, ele desabafou sobre o processo: “O filme foi uma das boas coisas que me aconteceu e se relaciona comigo em todas as partes, parecia até que o personagem tinha sido escrito pra mim”.
Além disso, ele completou destacando a dificuldade logística que mina sonhos. “Sou morador da periferia, no extremo sul de SP. Dentro da minha realidade atual, eu demoro três horas para chegar onde estudo teatro. Logo, passar horas num busão apenas para ir estudar é quase impensável”.
Por outro lado, o elenco principal conta ainda com outros nomes de peso. Entre eles, estão Larissa Diaz, Nando Bárá, Elias Cardoso e Felipe Paraguassu.
Bastidores: A revolução vem da periferia

No entanto, o grande diferencial de Dias e Dias está por trás das câmeras. Isso porque a produção valoriza quem faz a cultura acontecer nas quebradas. Até porque o filme tem o apoio institucional do Instituto Criar, fundado para desenvolver talentos de territórios vulneráveis.
Dessa forma, o impacto se reflete nos números impressionantes da equipe técnica. Para se ter uma ideia, 75% dos profissionais envolvidos são da periferia, o que garante um olhar autêntico e democrático para a obra.
Os diretores, que são veteranos do Instituto, reforçam esse compromisso. “Dias e Dias nasce do desejo de observar o tempo, o tempo de quem trabalha, espera e sonha. Por isso, nosso foco é o anseio pessoal de quem cria à margem. Não para vencer, mas para continuar”, afirmaram Mary e Peri.
Por fim, a produção é da Fílmica, com patrocínio da Petrogal Brasil, e promete ser um marco na representatividade do audiovisual nacional.
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